domingo, 9 de dezembro de 2012

Prazer

Senti sua respiração ofegante em meu pescoço, o barulho do zíper do meu vestido sendo aberto. E,depois disso acordei nua em um quarto estranho de motel barato. Não fiquei assustada, nem procurei saber o que tinha acontecido. Só uma vaga lembrança de beijos doces, arranhões e muito prazer. O que tivesse acontecido por lá, eu queria novamente, meu corpo pedia por algum prazer estranho. 
Nunca fui tocada dessa maneira por alguém, jamais pensei que meu corpo conseguisse sentir tanto prazer, que meu coração pudesse bater tão descompensado e ao mesmo tempo ritmado  Memórias me surgem,  jaqueta de coro e olhos em chamas em cor avelã.
De repente o telefone toca e meu coração dispara, deve ser ele, atendo. Não, não é ele, é só o porteiro me dizendo que meu acompanhante de ontem deixou um táxi me esperando e todas as despeças pagas antes de sair. 
Me viro para o lado, afim de ver onde estão minhas roupas. Vejo algo caído no chão, um lenço. Conheço aquele pedaço de papel , estava segurando ele ontem, antes de tudo isso,  no barzinho perto da minha casa. Há algo escrito nele, me parece um número de telefone e logo abaixo uma frase "Sua primeira lição como submissa: Nunca insite um dominador, o prazer pode ser intenso é a memória ficar conturbada pela manhã." Não precisei de mais nenhuma explicação, sei quem ele é agora. E sei que o quero novamente em mim. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Não sou esse tipo de mulher de sociedade

       Pensei que lhe conhecia, mas percebo que tão pouco conhecia  a mim mesma. Tão pouco tempo estamos juntos, tão pouco beijos e juras de amor foram trocados. Contaria os dias e as horas que olhamos um nos olhos do outro. Acabou o amor e sobrou fachada. Na mesma corda bamba levamos um relacionamento que diziam que seria para sempre. Seus amigos te admiram por seu status e por ter uma mulher linda que cuida de você. Pois eu não. Nunca te admirei, fui ludibriada, assim como notícias de "jornalesco" de cidade pequena, que engana e não conta imparcialmente o fato. 
http://weheartit.com
Implacável é essa minha vontade de viver, de viver sem você. Pequena borboleta que sou, pensei que ter asas seria ter a liberdade, muito menos imaginava os predadores invisíveis que estariam a minha espera, só esperando que eu saísse do casulo. 
  Engana te a pensar que isso me impedirá de voar, um dia a pequena borboleta notará que ela é diferente do que a sociedade pensa, e em um belo dia notará que tem asas de gavião. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Veja por esse ponto

Um copo de coragem era o que Ellen queria pedir quando o garçom do bar perguntou o que ela queria beber, pediu um gim com tônica no lugar. Gustavo seu marido resolveu trocar Ellen por uma adolescente cheirando a leite, e bem sabe ela que tipo de leite se tratava. Ao se separar o ex marido lhe deixou o apartamento, a casa na praia, o carro e um buraco no ego. Ela se dedicava edificar sua casa e ele a dar marretada em tudo que Ellen construía. A infidelidade de seu marido passou por todas as fases que está escrito na cartilha do canalhas de plantão. Teve a fase dos presentes dados do nada, a fase de chegar tarde e cansado, a fase de xingar tudo e dizer que nada está bom e assim foi destruindo tudo que existia entre eles.
Ellen não era boba sabia que tinha mulher na jogada, mas esperava que ele tivesse a decência pra contar. Todavia, ele não teve. Saiu uma tarde e quem voltou em seu lugar foi um advogado, lindo e jovem diga-se de passagem, mas totalmente sério em seu ofício que a entregou uma carta de Ruan, seu ex marido, contando que havia outra e que já não dava mais pra ficar juntos, os bens do casal eles iriam compartilhar e no final dizia boa sorte, ironicamente ela riu, sorriu por se lembrar que quando começou as brigas ela vivia cantarolando essa música da Vanessa da Mata, coisa do destino. Ellen não deixou se abalar, não na frente do advogado. Procurou consolo no colo de mãe e de sua melhor amiga desde a infância, Kellen. E foi essa amiga que a arrastou para esse barzinho à noite onde afogaria seu ex em um copo após ao outro. Porém mulher recatada não conseguia beber nada alcoólico, pois ela sabe o que o álcool faz na cabeça de uma mulher abandonada. O que Ellen não esperava que seria abordada por aquele lindo advogado, que foi em sua casa levar a carta do ex marido, mas agora sem o terno e com um sorriso convidativo no rosto. Gustavo foi como se apresentou ao dizer que ela precisava de algo mais forte que a acompanharia em uma bebida. Conversaram como se fosse velhos amigos, entre eles a ligação os envolvia como um abraço invisível e quando menos perceberam já estavam encostando o braço um no outro, um leve toque na pele que deixava Ellen corada e seus olhos reluziam um brilho, que nunca teve com seu marido em quinze anos de casado. Gustavo à acompanhou até em casa e a disse que largaria o caso e ficaria do lado dela para o que necessitasse. Nem que seja emprestar seu ombro pra ela chorar e qualquer outra parte do seu corpo que ela requeresse. Agora Ellen resolveu se apegar a uma parte diferente da música da Vanessa M. "Há um desencontro; Veja por esse ponto; Há tantas pessoas especiais [...] - Boa sorte, Vanessa da Mata" E a canção que estava morta dentro dela por esses 15 anos voltou a tocar, e Ellen sabia que não deixaria mais ninguém abafar seu som.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"O mundo por trás dos meus óculos...": Fumante em meio a maratona

Era um domingo como outro qualquer, tirando o fato que eu estava de plantão. Aquela coisa legal que te priva do convívio com a sociedade, mas é uma conseqüência por trabalhar na área que você tanto ama.Acordei as 6, tomei um banho e coloquei minhas bombachas.

Fiz um chimarrão e acendi um cigarro. Como me sentia bem quando fumava.
O ritual de aspirar a fumaça e ficar pensando na vida sempre me fez bem. Mesmo que o cheiro do cigarro fizesse com que eu perdesse todos os candidatos a namorado.

Tomei a condução e vim pro serviço. Cheguei na rádio perto das 7h30min, ia ter uma tal de maratona e eu precisava cobrir o tal do evento. Mesmo sem entender o que faz um vivente levantar tão cedo para sair correndo, admirei quem estava ali.
Em meio à garrafinhas de água e o cheiro de Gelol que emanava dos atletas, fiquei observando eles se aquecerem.

E os admirei. Senti orgulho daquelas pessoas saudáveis, que conseguem andar duas quadras sem parar ofegante. Aquelas pessoas que iam correr quilômetros apenas pelo prazer de ser saudável e conseguir isso. Senti vontade de conseguir isso também. Lembrei do tempo que eu lutava. Do tempo que eu não fumava e que conseguia fazer exercícios físicos por horas a fio sem precisar de auxílio de tubos de oxigênio.

Senti uma vontade louca de ser saudável e correr, fazer exercícios e aquela coisa toda. Era eu, fumante, em meio a maratona. As pernas torneadas e corpos esbeltos dos atletas profissionais me deram até um pouco de inveja. Mas ao mesmo tempo me incentivaram a entrar na academia, voltar a lutar. E correr. Correr e ganhar todas as maratonas do mundo.

Servi um café e acendi mais um cigarro. Percebi que como atleta, sou uma ótima jornalista. Ou não, talvez ser jornalista seja só a desculpa para os vícios da nicotina, da cafeína e da vontade desenfreada de escrever.

-ICS


* Texto não é  minha autoria e sim de "O mundo por trás dos meus óculos...": Fumante em meio a maratona

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ponto de vista

Esse papel que a vida me empós como figurante. Já faz tempo que eu quero ser a atriz principal, mas o meu tempo já acabou. Não há mais escolha de novos talentos para fazer parte da minha grande peça. Os que apareceram já foram embora, uns não eram bons em atuar e descobrira logo sua cara de pau. Outros era tão bons que me arrancaram beijos, choros e noites sem dormir. Mas, esses eram curta metragem, minisséries em minha vida. E logo que chegavam ao último capítulo sumiam da minha tela e passavam pra outra emissora.
"E essa é a vidinha controlada e temerosa e quadradinha que me conforta e ao mesmo tempo me faz estar prestes a rasgar minha pele, amassar, jogar no lixo e começar de novo -Frase Tati Bernardi http://www.tatibernardi.com.br/blog/post.jsp?idPost=113" O preço do aluguel do teatro já me rendeu uma vida, hoje,minhas rugas são as cortinas, já velhas, em um vermelho encardido que é observado ao abrir e fechar no palco. Já foi de grande sucesso, muitos vinham apreciar o meu espetáculo, achava que a minha mocidade duraria para sempre. Mas logo outras atrizes mais bonitas, que chamavam mais à atenção, começaram conturbar a visão da minha plateia. Elas foram e levaram meus enamorados com elas. Os que diziam que eu era a mulher de suas vidas foram os primeiros a irem atrás do rabo de saia. E no decorrer do tempo já não era tão requisitada entre os rapazes. Fui ficando quadrada, enferrujada e fazendo parte da decoração da minha casa. O tempo passou e não deixou dúvida de quem é que manda em todos os seres vivos.
Hoje escrevo best sellers de amores que não vivi, recebo diversos prêmios de literatura mediante o sucesso dos livros e respondo a diversas perguntas pertinentes de reportes, de onde vem a sua inspiração?; que foi o grande amor que te inspirou?; Porquê não é casada?; enfim respondo com o meu melhor sorriso: - Só posso dizer que minha vida é incrível e que, por isso e por tudo escrevo livros. Menti, mas a única que sabe a verdade sou eu! E eu escrevo livros das minhas inverdades que contribuem para ilusão do que é o amor. Que ironia....

domingo, 26 de agosto de 2012

O abrir das asas

Prevejo que não vou gostar nada da sua reação, ao me ver saindo por aquela porta de malas prontas e sem olhar para trás. Você vai gritar, me chamar de ingrata, dizer que eu posso ir, e que já estava mais do que na hora. E depois vai correr atrás de mim pedindo desculpas, dizendo que me ama e que não pode viver sem mim. Segurará a minha mão e eu vou sentir o calor da sua pele, que não me deixará dar mais nenhum passo em direção a saída. Me virarei e olharei para o seu rosto, pronta pra mandar que você me solte. Porém, não haverá tempo de dizer nada, pois, você sem titubear, me puxará pela cintura e me beijará ardentemente, fazendo com que meu corpo todo estremeça. Tentarei empurrá-lo, e sair pisando duro para o quarto, mas será em vão. Você me envolverá com mais força, quase brutal, o que acabará me vencendo, nos amaremos como se fosse a primeira vez. Quando terminarmos e extasiados cada um virará para um lado, você acenderá um cigarro, como sempre, e eu desejarei sumir dali à cada baforada de fumaça que sairá da sua boca. Nunca fui nem santa e nem puta, porém com você só as duas. Esse sempre será o prologo da nossa história, que eu já cansei de ler.
Só que para mim, chega um momento que eu tenho que fugir, sair correndo, liberdade é o meu segundo nome. Chega de mesmice, de círculos sem fim. Não gosto de me sentir presa à ninguém, tão dona de mim me vi tão presa à você. "Engana-te quando não enxerga as asas que escondo por detrás do casaco-Frase de Alívio imediato http://elenabreu.blogspot.com.br/2012/08/por-que-nao-ficas.html " um dia eu voo alto sem me dar tempo de olhar pra trás.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Eu jogaria meu corpo ao teu

Hoje já entendo bem mais de amores sem ciúmes, de beijos e abraços sem sentido resultantes de pessoas que conheci. Porém, a minha vida continua, sem eu saber do que sou capaz. Mas é certo que serei sempre sua. Não vou mais perder lágrimas baratas sem nenhum porquê, de agora em diante ficarei assim, desinteressada. O nosso amor se transformou em bons dias, dados ao acaso, em encontrões no elevador do prédio. Por favor, não deixe o seu olhar cruzar com o meu, eu jogaria o meu corpo ao teu. Você "tá" nessa rejeitado, caçando paixão. E eu me pergunto: por que não comigo, por que não eu? Tenho mil motivos pra você me suportar, fica mais uma semana, lhe peço. Nesse tempo a gente se engana , se ama, se entrega, se vive. Você me tem fácil demais, e sei que é por isso que você brinca comigo.
Eu não aguento estar tão perto de você e tão longe, aperto o travesseiro contra o rosto, ao ouvir você passar, em frente a minha porta, com uma nova amiguinha "pro" seu quarto. É essa vagabunda agora que você vai chamar de namorada? De repente penso em pular do oitavo andar, olho pelo janela, até pularia, mas seria com os olhos fechados, não quero ver quando me machucar. Rio dessa loucura estúpida.
Outro dia você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz. Me disse vai, e eu não fui. Me perguntou no elevador, eu engasguei, sem coragem travei, não me atrevi a responder Por que é que eu não desisto de você....
Texto baseado em algumas composições do grupo kid abelha

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Caminhar até o fim começar


Quatro paredes frias, sem liberdade condicional. Nunca tive a intenção de vir parar aqui, mas não me arrependo, pelo menos sei que ela está aqui dentro de mim.
As pessoas pensam que eu estou louco, riem na minha cara. Não ligo, eles não sabem o que é amar, nunca amarão como eu amei Katty. Nos meus diagnósticos psicológicos escrevem que sou egoísta, concordo com os médicos nessa parte. Sei, que a culpa foi minha, eu a disse que melhoraria, na verdade, falava isso à ela sempre, porém nunca mudei. Dei tudo à ela e mais um pouco, mas foi em vão. Minha querida Katty, não me aguentava mais, podia vê- la desmoronando. Está tudo acabado, ela me disse com a voz embargada. Não acreditei no que ouvir, pensei que ela me amava mais que isso.
Fiquei inconsolado, não podia fazer nada. Disse à ela que poderia ir em frente, que não me importava. Doeu, porém era tudo que eu poderia fazer por aquela mulher que tanto amo. Ao vê- la retirando suas roupas das gavetas, não me contive, não pude aguentar tanto sofrimento, tanta dor, em uma fração de segundo saquei a arma da minha farda de policial, destravei e atirei em Katty por trás, não queria que ela visse meu rosto antes de atirar, só que ouvisse a minha voz quando eu disse: - Não há mais espaço na minha cama para nenhuma mulher que não seja você.
E bem, agora estou aqui preso. E se vocês querem saber, não me importo, foi por amor, foi por esse sentimento egocêntrico que me cegou. Que me manipulou e esmagou qualquer pudor que eu tinha. Que faz você abandonar tudo e mesmo assim não te deixa chegar longe...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Que droga de amor é esse?

Casa vazia, porém cheia das lembranças que você deixou aqui. Era para ser só por uma noite e você foi ficando uma semana, um mês e quando paramos pra contar, já se havia um ano que minhas calcinhas se misturavam às suas meias na gaveta. Prometi, não pensar mais em você. Porque tem que ser assim. Você entrou como um vento pela janela, se demorou um pouco e depois saiu quando eu esqueci a porta aberta.
Já repassei na minha cabeça, milhões de vezes, que já começou tudo fodido mesmo, não estava preparado pra ter uma pessoa dentro da minha casa e muito menos dentro do peito. Mas, você é uma droga, uma merda de droga, que vicia. Seu perfume é como eroína. Porra, você f... a minha vida e vai embora assim, falando que não era pra dá certo mesmo, que o que você sentia por mim cresceu tanto por dentro que você resolveu fugir. Que droga de amor é esse? Que merda é essa?! "Preciso do Lexapro, mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. - Tati B."

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O amor se dissolve sem permissão

Como dois estranhos fazemos amor. Sei, que o seu desejo por mim não é mais o mesmo e, o meu tão pouco é diferente do seu. Nossas bocas se encontram, porém, não há mais sede da saliva um do outro. Pra mim, parece que cada movimento que fazemos é como um filme barato de sessão da tarde, com ações todas coordenadas.
Todavia, o amor não se foi, sei que ainda existe uma faísca que insiste em ficar acesa, mesmo tendo que lutar contra uma ventania que entra pela janela. Tenho por mim, e vejo isso também em seus olhos, que "Só não queremos perder o costume de termos um ao outro." "Funcionamos por mera conveniência de não querermos dormir no escuro sozinhos- Lucas Simões" sentindo a falta de nossas pernas entrelaçadas, sua respiração na minha nuca, que aos poucos me fazia dormir. Temos medo dos pesadelos que teremos à noite, por não termos um ao outro mais, falo por nos dois porque sei que você sente o mesmo, e sei que tem medo de me deixar.
Talvez, conveniência não seja tão ruim assim. Porque sempre sobra alguma coisa, uma lembrança, uma roupa pra lavar, ou uma data importante que não te deixa ir embora." Acho que algumas histórias de amor acabam sem poder, se esquecem sem motivo específico e se dissolvem sem permissão dos envolvidos- Lucas Simões"

domingo, 22 de julho de 2012

"Tantos anos, tantos planos e o vento levou"

E no fim das contas ainda a espero. Estava escrito no guardanapo que Elisa recebera de um garçom sorridente do restaurante chinês, onde sempre ia quando se sentia sufocada em casa. Ela sabia que aquele bilhete não era seu. Porém o bilhete, fez seu coração bater mais rápido. Como se a vida voltasse a fluir em suas veias.
E de repente, ela se sentiu tão aflita, uma saudade encheu seu peito. Uma saudade dos tempos bons, em que passou com seu marido. Ela deixou que o tempo apagasse a lembrança dele, e hoje já nos seus cinquenta e pouco anos ela se lembrou de seus lindos olhos azuis e de sua doce voz tranquila, que a dizia que ficaria tudo bem, que eles morreriam juntos, deitados de conchinha e bem quentinhos numa noite fria. Mas, isso não aconteceu. E faz dois anos que ele se foi.
Seus filhos e netos sempre acharam que ela não aguentaria essa perda. Na verdade não aguentou, a morte de seu grande amor a quebrou por dentro. Mas, seu sorriso não saiu de seu rosto. Porque era disso que ele gostava nela, Tom, seu esposo, dizia que foi por esse sorriso que se apaixonou, quando contava aos netos como conheceu Elisa, e que foi por um recado escrito no guardanapo que a chamou pra sair pela primeira vez.
O guardanapo que hoje foi parar em sua mão, por um descuido, acabou sendo uma chave do qual a tirou desse tormento, desse vazio. E liberou suas lembranças, mesmo sem autorização, do qual seus pensamentos reapresentaram o capítulo mais bonito de sua vida e que não poderia ficar empoeirados e escondidos em uma gaveta dentro de seu peito.
Elisa se levantou e foi em direção ao garçom que havia lhe entregue o bilhete e o devolveu, disse que não era pra ela. E, sorrindo lhe deu um abraço e lhe disse:- Muito obrigada. Virou- se e saiu pela porta aberta do restaurante, sem olhar pra trás.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Café da manhã pra dois

Ela é agradável, não chega a ser linda, mas seus cabelos ruivos naturais e suas sardas no rosto me atraem de tal forma, que não consigo parar de olhá-la. Mellisa é o seu nome, faz psicologia mas não sabe se gosta mais de pessoas ou animais. De certo, se decidiu pelo primeiro, cujo afirma ser mais fácil de prever. Mel fala que, o que levou à ela estudar psicologia foi o significado etimológico da palavra: estudo da alma. Diz, que achou isso bonito.
Ela não se importa de falar, e como ela fala, e, eu não me importo de ouvi-lá. Por mim, ficaríamos a noite toda nesse barzinho, tragando um cigarro e bebendo vodka.
Conversamos sobre tudo e sobre nada, sei que a vodka já está fazendo efeito sobre ela, pois, seus risos começam a vir mais fácil, ela chega a sorrir até da forma de como eu solto a fumaça do cigarro. Gosto do seu sorriso- digo à ela.
Sempre levo as mulheres para cama no primeiro encontro, não que eu seja lindo, mas, sou charmoso, disso eu sei. Passo confiança à elas. Quase sempre, que pergunto se posso entrar, quando às levo em casa, a resposta é a mesma: - Porque não, pode entrar, eu preparo um café pra gente.
Sei que das xícara de café que me oferecem, nunca provei. Mas, não com Melissa, não quero só uma noite com ela, claro que a desejo, quero tocar suas sardas com a ponta da língua e fazê-la rir. Quem disse, que o amor não pode acontecer do nada?! Pra mim, o amor é assim, do jeito que Renato Russo o descreve em "Eduardo e Mônica". Sei o cafajeste que eu só. Mas, ela mexe com meu instinto protetor.
Então, convido Mel pra dar uma volta, para que ela volte ao normal. Entramos em uma padaria e peço uma xícara de café bem quente para ela. Ela me olha, e despretensiosa fala: Ficaria mais à vontade se tomasse café na minha casa. Não pude deixar de notar que ela cora um pouco depois de terminar a frase. Olho pra ela e passo a mão por seu rosto. Não digo nada em resposta. Entrego à ela a xícara, depois de alguns minutos ela termina de tomar seu café e saímos em direção a sua casa. Chegando perto, deixo a na esquina, sei que não resistiria se ela me pedisse pra entrar. Você é diferente, diz ela olhando para baixo. Toco o seu queixo para que ela olhe em meu rosto, e respondo: Não gosto de café e sorrio. Meio confusa, ela sorrir sem graça. E se despedi de mim com um aceno de mão. E vira as costas. Olho a até virar a esquina.
Minha esperança de revê-lá é o bilhete que deixei em seu casaco com o meu endereço e uma frase: Fiz café da manhã pra dois. Espero que a segunda pessoa ainda lembre- se de mim.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Devemos provar do proibido, senão sufocamos

"Sou capaz de suportar todos seus defeitos, até o pior deles que é não saber de vez se me quer ou não. (Gabito Nunes) " Você sempre me olha, mas seu olhar sobre mim não dura mais que três segundos. Adoro quando você coloca o cabelo atrás da orelha e rir de algo engraçado que alguém disse, sem mostrar muito os dentes. Poderia ficar a vida toda olhando para você, de certo, sou um cliché ambulante, típico de histórias romancistas água com açúcar. Você para mim é como a frase daquela música" [...] o brinquedo caro na vitrine que o menino pobre não pode ter. " Vai ver, é por isso, que eu gosto tanto de olhar pra você, gosto das coisas impossíveis de se ter.

Tati B.


Preciso admitir, sou muito irônica, e grossa as vezes, um pouco meiga de vez em quando. Gosto do meu lado apaixonada, mas quase nunca aparece. E meu lado safado chega a me assustar. Protetora e ciumenta ao extremo. Tenho um gênio difícil e um temperamento forte. As vezes sou barraqueira, outras, calma até demais. Dura como uma pedra e frágil como um vidro. Um poço de orgulho, e mais conhecida como a rainha do drama, essa sou eu. E sabe o que mais me assusta? Ainda tem gente que gosta.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Gabito Nunes- Me liga, qualquer coisa


Fica, eu digo.[...] Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água[...] Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente.

sábado, 14 de julho de 2012

Jornal aberto, café e coração na boca

Entro no primeiro lugar que vejo aberto. Sinto meu coração na boca, meu sangue está correndo tão rápido por minha veias que quase posso ver sua pulsação sobre minha pele. Logo, sobe um rubor por minhas bochechas, enquanto as lágrimas rolam por minha face, sem pedir licença invadem meus olhos. Olho em minha volta, para descobrir aonde fui parar. Reparo que entrei dentro da minha livraria preferida, onde tem um som ambiente tão calmo e relaxante. Sempre sento, para tomar uma xícara de café e ler qualquer coisa, na mesa do fundo, onde a luz solar bate indiretamente. Só de saber que estou aqui, me acalmo um pouco. Porém, não consigo esquecer da briga que tive com a minha mãe mais cedo. Vai ser sempre assim?! Você não consegue aceitar, ele nos deixou, deixou você. Papai, nunca vai voltar, só você que não percebe. - Lembro me da última frase que cuspi à ela, antes de sair de casa, batendo a porta. Balanço a cabeça, não quero mais lembrar da briga, sei que quando eu voltar pra casa, não terei que me preocupar com mais uma discussão, ela vai está dormindo no quarto entupida de remédios. Como sempre.
Lágrimas voltam a rolar em meu rosto, disfarço segurando um livro qualquer em frente ao meu rosto, não quero que ninguém me veja assim. Olho pro lado a procura de minha mesa preferida, mas já tem alguém ocupando o meu lugar. Percebo, que é um rapaz de cabelos pretos lisos, está vestindo uma blusa branca que se adapta perfeitamente ao seu corpo. Perto dela está um a xícara de café bem quente, que é fácil perceber pois ainda solta fumaça. O jornal que ele está segurando, atrapalha de ver o seu rosto. Acho que ele percebeu meu olhar, pois, me olha de volta quando eu recuo rápido meu olhar para o livro e folheio-o despretensiosamente. Sinto que seu olhar se prendeu em mim, mais segundos do que seria educado.
Olho o novamente pelo canto do olho e percebo que ele está vindo em minha direção, viro me de costas, não quero nenhum chato me enchendo. Não hoje. Mas, não consigo me concentrar no livro em minhas mãos. Gosta desse livro?, ouço sua pergunta e percebo que ele está atrás de mim. Viro me pronta para dar uma resposta bem ríspida e malcriada, devido a sua prepotência de vir falar comigo. E, paro sem reação, quando ele abre um sorriso encantador. Tudo que eu iria esbravejar contra ele se esvaiu por minha mente, e não consigo mais lembrar de nada só olha- lo e perceber que não era só seu sorriso que era encantador e sim o rosto todo. Então, é bom? ouço -o reforçando a pergunta. Concentre- se, concentre-se repetia em minha mente. Não sei, ainda não li - ouço saindo de minha boca. Voltei o rosto para o livro, pois, sabia que não me concentraria com ele tão perto de mim assim. Achei q ele fosse se retirar, ao perceber o quanto eu estava sendo reticente com sua presença à minha frente. Engraçado, não era esse mesmo livro que você estava lendo ontem aqui? E ontem, não pude deixar de perceber que você já havia passado do meio do livro.- ouço ele me questionando novamente. Olho para o livro em minhas mãos, viro a folha pra ver a capa, O prisioneiro do céu de Carlos Ruiz Zafon. Lembro que o li tão compulsivamente, que passei mais tempo sentada naquela mesa, em que hoje ele estava, do que em minha própria casa. Fico desconfortada com a situação, nunca fui de ficar sem respostas, tudo sempre esteve na ponta da minha língua, mas não hoje. Como você sabe?, falo a primeira frase coerente que veio em minha cabeça. Novamente ele sorrir e chega mais perto do meu corpo, sinto que esqueço de respirar. Desculpe me tamanha indelicadeza. Venho sempre aqui, me sento em frente à sua mesa todas vezes. Porém, percebo que você nunca reparou. Vejo ele, de certo, começando a ficar constrangido com a situação. Mas, continua a me responder. Fico fascinado como você se transporta para o livro, ele me olha com um sorriso de canto de boca e continua, sua fisionomia muda em cada novo desfecho da história. Eu quase posso adivinhar o que está acontecendo só de olhar para seu rosto. Quando termina de me responder percebo que ele levemente corou. Por que me olha?, pergunto à ele novamente. Sua fascinação por livros me encanta, desculpe me, se parece estranho isso, mas sou escritor e não pude deixar de reparar. Sempre quis falar com você, todavia não tinha coragem de ir até aonde você estava, não queria invadir o seu mundo, você fica tão longe daqui quando ler, ele sorrir pra mim novamente. Hoje porém, tive coragem, e repare já à esperava, olho para onde ele está apontando, está me mostrando uma xícara com café, a mesma que reparei a cinco minutos atrás e não pude deixar de notar que ela ainda está bem quente por sinal, mas, agora noto que ela se encontra à sua frente e não ao seu lado, como se insinuasse um convite para alguém juntar se à ele. Gostaria de conversar com você, se possível. De fato, você me inspirou a continuar a escrever, pois, estava pensando em parar. Você sabe, vida de escritor é difícil e as contas não param de chegar ao final do mês, ele sorrir sem graça para mim, diga me se aceita um café? pergunta me ao terminar seu monólogo em resposta à pergunta que o fiz.
Ainda tentando me situar no que está acontecendo, respondo que sim com a cabeça, não consigo pensar em outra resposta que não seja essa. Em resposta, ele sorrir novamente, e um frio percorre por minha espinha. Aliás, eu sou Diogo, prazer. E em seguida estende sua mão para me comprimentar. Em retribuição estendo a minha, sinto seu toque em minha palma e um calor percorrer por todo meu corpo, soltando endorfina por minha corrente sanguínea. Emily, digo meu nome à ele ainda segurando sua mão. Enquanto Diogo me direciona para mesa, questiono me em silêncio, O que há comigo?! Como ele pode despertar esse calor pelo meu corpo, só com um toque. Sinto como se fosse um ler um livro muito esperado. E gosto da sensação que isso me proporciona. E sorrio, e logo percebo que ele está me olhando. Gosto do seu sorriso, ele fala enquanto arrasta a cadeira para eu sente à sua frente.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sem rascunho


Totalmente desatenta, possivelmente fora de mim, acaricio meus lábios, lembrando do seu juntamente ao meu, não houve movimentos, só o toque. Não sei quando você chega e nem quando vai embora. Não ouço seus passos na escada, a janela sempre trancada, porém, você me arrebata toda noite.
Eu sei quando você está no meu quarto, pois, o meu corpo inteiro se arrepia, mesmo eu estando adormecida, posso senti-lo. Posso até ouvir sua voz rouca pedindo para que eu pare de olhá-lo, com meu olhos castanhos mel, que sempre conseguiam ver sua alma.
Sinto sua mão acariciando levemente meus cabelos, e ouço o som da sua gargalhada, ecoando pelo quarto. Não faz sentido, você se foi, porém toda noite é como se você estivesse aqui.
Sinto sua falta, quando quiser aparecer seja bem-vindo, chega de lembranças e saudades sem fim, pensa Anita ao terminar de escrever mais um texto para sua coluna da revista Ellas. Dessa vez, não sai correndo para entregar o rascunho para o fechamento da revista. Mas, acaricia seus lábios e pensa: Poderia ser verdade.

Martha

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Histórias cruzadas

CF, porque só ele me entende

Fonte: desContração- http://drarepolha.blogspot.com.br/

Algo dentro

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Fonte: http://silvinhahba.blogspot.com.br