quarta-feira, 18 de julho de 2012

Café da manhã pra dois

Ela é agradável, não chega a ser linda, mas seus cabelos ruivos naturais e suas sardas no rosto me atraem de tal forma, que não consigo parar de olhá-la. Mellisa é o seu nome, faz psicologia mas não sabe se gosta mais de pessoas ou animais. De certo, se decidiu pelo primeiro, cujo afirma ser mais fácil de prever. Mel fala que, o que levou à ela estudar psicologia foi o significado etimológico da palavra: estudo da alma. Diz, que achou isso bonito.
Ela não se importa de falar, e como ela fala, e, eu não me importo de ouvi-lá. Por mim, ficaríamos a noite toda nesse barzinho, tragando um cigarro e bebendo vodka.
Conversamos sobre tudo e sobre nada, sei que a vodka já está fazendo efeito sobre ela, pois, seus risos começam a vir mais fácil, ela chega a sorrir até da forma de como eu solto a fumaça do cigarro. Gosto do seu sorriso- digo à ela.
Sempre levo as mulheres para cama no primeiro encontro, não que eu seja lindo, mas, sou charmoso, disso eu sei. Passo confiança à elas. Quase sempre, que pergunto se posso entrar, quando às levo em casa, a resposta é a mesma: - Porque não, pode entrar, eu preparo um café pra gente.
Sei que das xícara de café que me oferecem, nunca provei. Mas, não com Melissa, não quero só uma noite com ela, claro que a desejo, quero tocar suas sardas com a ponta da língua e fazê-la rir. Quem disse, que o amor não pode acontecer do nada?! Pra mim, o amor é assim, do jeito que Renato Russo o descreve em "Eduardo e Mônica". Sei o cafajeste que eu só. Mas, ela mexe com meu instinto protetor.
Então, convido Mel pra dar uma volta, para que ela volte ao normal. Entramos em uma padaria e peço uma xícara de café bem quente para ela. Ela me olha, e despretensiosa fala: Ficaria mais à vontade se tomasse café na minha casa. Não pude deixar de notar que ela cora um pouco depois de terminar a frase. Olho pra ela e passo a mão por seu rosto. Não digo nada em resposta. Entrego à ela a xícara, depois de alguns minutos ela termina de tomar seu café e saímos em direção a sua casa. Chegando perto, deixo a na esquina, sei que não resistiria se ela me pedisse pra entrar. Você é diferente, diz ela olhando para baixo. Toco o seu queixo para que ela olhe em meu rosto, e respondo: Não gosto de café e sorrio. Meio confusa, ela sorrir sem graça. E se despedi de mim com um aceno de mão. E vira as costas. Olho a até virar a esquina.
Minha esperança de revê-lá é o bilhete que deixei em seu casaco com o meu endereço e uma frase: Fiz café da manhã pra dois. Espero que a segunda pessoa ainda lembre- se de mim.

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