
Entro no primeiro lugar que vejo aberto. Sinto meu coração na boca, meu sangue está correndo tão rápido por minha veias que quase posso ver sua pulsação sobre minha pele. Logo, sobe um rubor por minhas bochechas, enquanto as lágrimas rolam por minha face, sem pedir licença invadem meus olhos. Olho em minha volta, para descobrir aonde fui parar. Reparo que entrei dentro da minha livraria preferida, onde tem um som ambiente tão calmo e relaxante. Sempre sento, para tomar uma xícara de café e ler qualquer coisa, na mesa do fundo, onde a luz solar bate indiretamente. Só de saber que estou aqui, me acalmo um pouco. Porém, não consigo esquecer da briga que tive com a minha mãe mais cedo. Vai ser sempre assim?! Você não consegue aceitar, ele nos deixou, deixou você. Papai, nunca vai voltar, só você que não percebe. - Lembro me da última frase que cuspi à ela, antes de sair de casa, batendo a porta. Balanço a cabeça, não quero mais lembrar da briga, sei que quando eu voltar pra casa, não terei que me preocupar com mais uma discussão, ela vai está dormindo no quarto entupida de remédios. Como sempre.
Lágrimas voltam a rolar em meu rosto, disfarço segurando um livro qualquer em frente ao meu rosto, não quero que ninguém me veja assim. Olho pro lado a procura de minha mesa preferida, mas já tem alguém ocupando o meu lugar. Percebo, que é um rapaz de cabelos pretos lisos, está vestindo uma blusa branca que se adapta perfeitamente ao seu corpo. Perto dela está um a xícara de café bem quente, que é fácil perceber pois ainda solta fumaça. O jornal que ele está segurando, atrapalha de ver o seu rosto. Acho que ele percebeu meu olhar, pois, me olha de volta quando eu recuo rápido meu olhar para o livro e folheio-o despretensiosamente. Sinto que seu olhar se prendeu em mim, mais segundos do que seria educado.
Olho o novamente pelo canto do olho e percebo que ele está vindo em minha direção, viro me de costas, não quero nenhum chato me enchendo. Não hoje. Mas, não consigo me concentrar no livro em minhas mãos. Gosta desse livro?, ouço sua pergunta e percebo que ele está atrás de mim. Viro me pronta para dar uma resposta bem ríspida e malcriada, devido a sua prepotência de vir falar comigo. E, paro sem reação, quando ele abre um sorriso encantador. Tudo que eu iria esbravejar contra ele se esvaiu por minha mente, e não consigo mais lembrar de nada só olha- lo e perceber que não era só seu sorriso que era encantador e sim o rosto todo. Então, é bom? ouço -o reforçando a pergunta. Concentre- se, concentre-se repetia em minha mente. Não sei, ainda não li - ouço saindo de minha boca. Voltei o rosto para o livro, pois, sabia que não me concentraria com ele tão perto de mim assim. Achei q ele fosse se retirar, ao perceber o quanto eu estava sendo reticente com sua presença à minha frente. Engraçado, não era esse mesmo livro que você estava lendo ontem aqui? E ontem, não pude deixar de perceber que você já havia passado do meio do livro.- ouço ele me questionando novamente. Olho para o livro em minhas mãos, viro a folha pra ver a capa, O prisioneiro do céu de Carlos Ruiz Zafon. Lembro que o li tão compulsivamente, que passei mais tempo sentada naquela mesa, em que hoje ele estava, do que em minha própria casa. Fico desconfortada com a situação, nunca fui de ficar sem respostas, tudo sempre esteve na ponta da minha língua, mas não hoje. Como você sabe?, falo a primeira frase coerente que veio em minha cabeça. Novamente ele sorrir e chega mais perto do meu corpo, sinto que esqueço de respirar. Desculpe me tamanha indelicadeza. Venho sempre aqui, me sento em frente à sua mesa todas vezes. Porém, percebo que você nunca reparou. Vejo ele, de certo, começando a ficar constrangido com a situação. Mas, continua a me responder. Fico fascinado como você se transporta para o livro, ele me olha com um sorriso de canto de boca e continua, sua fisionomia muda em cada novo desfecho da história. Eu quase posso adivinhar o que está acontecendo só de olhar para seu rosto. Quando termina de me responder percebo que ele levemente corou. Por que me olha?, pergunto à ele novamente. Sua fascinação por livros me encanta, desculpe me, se parece estranho isso, mas sou escritor e não pude deixar de reparar. Sempre quis falar com você, todavia não tinha coragem de ir até aonde você estava, não queria invadir o seu mundo, você fica tão longe daqui quando ler, ele sorrir pra mim novamente. Hoje porém, tive coragem, e repare já à esperava, olho para onde ele está apontando, está me mostrando uma xícara com café, a mesma que reparei a cinco minutos atrás e não pude deixar de notar que ela ainda está bem quente por sinal, mas, agora noto que ela se encontra à sua frente e não ao seu lado, como se insinuasse um convite para alguém juntar se à ele. Gostaria de conversar com você, se possível. De fato, você me inspirou a continuar a escrever, pois, estava pensando em parar. Você sabe, vida de escritor é difícil e as contas não param de chegar ao final do mês, ele sorrir sem graça para mim, diga me se aceita um café? pergunta me ao terminar seu monólogo em resposta à pergunta que o fiz.
Ainda tentando me situar no que está acontecendo, respondo que sim com a cabeça, não consigo pensar em outra resposta que não seja essa. Em resposta, ele sorrir novamente, e um frio percorre por minha espinha. Aliás, eu sou Diogo, prazer. E em seguida estende sua mão para me comprimentar. Em retribuição estendo a minha, sinto seu toque em minha palma e um calor percorrer por todo meu corpo, soltando endorfina por minha corrente sanguínea. Emily, digo meu nome à ele ainda segurando sua mão. Enquanto Diogo me direciona para mesa, questiono me em silêncio, O que há comigo?! Como ele pode despertar esse calor pelo meu corpo, só com um toque. Sinto como se fosse um ler um livro muito esperado. E gosto da sensação que isso me proporciona. E sorrio, e logo percebo que ele está me olhando. Gosto do seu sorriso, ele fala enquanto arrasta a cadeira para eu sente à sua frente.
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