quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ponto de vista

Esse papel que a vida me empós como figurante. Já faz tempo que eu quero ser a atriz principal, mas o meu tempo já acabou. Não há mais escolha de novos talentos para fazer parte da minha grande peça. Os que apareceram já foram embora, uns não eram bons em atuar e descobrira logo sua cara de pau. Outros era tão bons que me arrancaram beijos, choros e noites sem dormir. Mas, esses eram curta metragem, minisséries em minha vida. E logo que chegavam ao último capítulo sumiam da minha tela e passavam pra outra emissora.
"E essa é a vidinha controlada e temerosa e quadradinha que me conforta e ao mesmo tempo me faz estar prestes a rasgar minha pele, amassar, jogar no lixo e começar de novo -Frase Tati Bernardi http://www.tatibernardi.com.br/blog/post.jsp?idPost=113" O preço do aluguel do teatro já me rendeu uma vida, hoje,minhas rugas são as cortinas, já velhas, em um vermelho encardido que é observado ao abrir e fechar no palco. Já foi de grande sucesso, muitos vinham apreciar o meu espetáculo, achava que a minha mocidade duraria para sempre. Mas logo outras atrizes mais bonitas, que chamavam mais à atenção, começaram conturbar a visão da minha plateia. Elas foram e levaram meus enamorados com elas. Os que diziam que eu era a mulher de suas vidas foram os primeiros a irem atrás do rabo de saia. E no decorrer do tempo já não era tão requisitada entre os rapazes. Fui ficando quadrada, enferrujada e fazendo parte da decoração da minha casa. O tempo passou e não deixou dúvida de quem é que manda em todos os seres vivos.
Hoje escrevo best sellers de amores que não vivi, recebo diversos prêmios de literatura mediante o sucesso dos livros e respondo a diversas perguntas pertinentes de reportes, de onde vem a sua inspiração?; que foi o grande amor que te inspirou?; Porquê não é casada?; enfim respondo com o meu melhor sorriso: - Só posso dizer que minha vida é incrível e que, por isso e por tudo escrevo livros. Menti, mas a única que sabe a verdade sou eu! E eu escrevo livros das minhas inverdades que contribuem para ilusão do que é o amor. Que ironia....

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