domingo, 22 de julho de 2012

"Tantos anos, tantos planos e o vento levou"

E no fim das contas ainda a espero. Estava escrito no guardanapo que Elisa recebera de um garçom sorridente do restaurante chinês, onde sempre ia quando se sentia sufocada em casa. Ela sabia que aquele bilhete não era seu. Porém o bilhete, fez seu coração bater mais rápido. Como se a vida voltasse a fluir em suas veias.
E de repente, ela se sentiu tão aflita, uma saudade encheu seu peito. Uma saudade dos tempos bons, em que passou com seu marido. Ela deixou que o tempo apagasse a lembrança dele, e hoje já nos seus cinquenta e pouco anos ela se lembrou de seus lindos olhos azuis e de sua doce voz tranquila, que a dizia que ficaria tudo bem, que eles morreriam juntos, deitados de conchinha e bem quentinhos numa noite fria. Mas, isso não aconteceu. E faz dois anos que ele se foi.
Seus filhos e netos sempre acharam que ela não aguentaria essa perda. Na verdade não aguentou, a morte de seu grande amor a quebrou por dentro. Mas, seu sorriso não saiu de seu rosto. Porque era disso que ele gostava nela, Tom, seu esposo, dizia que foi por esse sorriso que se apaixonou, quando contava aos netos como conheceu Elisa, e que foi por um recado escrito no guardanapo que a chamou pra sair pela primeira vez.
O guardanapo que hoje foi parar em sua mão, por um descuido, acabou sendo uma chave do qual a tirou desse tormento, desse vazio. E liberou suas lembranças, mesmo sem autorização, do qual seus pensamentos reapresentaram o capítulo mais bonito de sua vida e que não poderia ficar empoeirados e escondidos em uma gaveta dentro de seu peito.
Elisa se levantou e foi em direção ao garçom que havia lhe entregue o bilhete e o devolveu, disse que não era pra ela. E, sorrindo lhe deu um abraço e lhe disse:- Muito obrigada. Virou- se e saiu pela porta aberta do restaurante, sem olhar pra trás.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Café da manhã pra dois

Ela é agradável, não chega a ser linda, mas seus cabelos ruivos naturais e suas sardas no rosto me atraem de tal forma, que não consigo parar de olhá-la. Mellisa é o seu nome, faz psicologia mas não sabe se gosta mais de pessoas ou animais. De certo, se decidiu pelo primeiro, cujo afirma ser mais fácil de prever. Mel fala que, o que levou à ela estudar psicologia foi o significado etimológico da palavra: estudo da alma. Diz, que achou isso bonito.
Ela não se importa de falar, e como ela fala, e, eu não me importo de ouvi-lá. Por mim, ficaríamos a noite toda nesse barzinho, tragando um cigarro e bebendo vodka.
Conversamos sobre tudo e sobre nada, sei que a vodka já está fazendo efeito sobre ela, pois, seus risos começam a vir mais fácil, ela chega a sorrir até da forma de como eu solto a fumaça do cigarro. Gosto do seu sorriso- digo à ela.
Sempre levo as mulheres para cama no primeiro encontro, não que eu seja lindo, mas, sou charmoso, disso eu sei. Passo confiança à elas. Quase sempre, que pergunto se posso entrar, quando às levo em casa, a resposta é a mesma: - Porque não, pode entrar, eu preparo um café pra gente.
Sei que das xícara de café que me oferecem, nunca provei. Mas, não com Melissa, não quero só uma noite com ela, claro que a desejo, quero tocar suas sardas com a ponta da língua e fazê-la rir. Quem disse, que o amor não pode acontecer do nada?! Pra mim, o amor é assim, do jeito que Renato Russo o descreve em "Eduardo e Mônica". Sei o cafajeste que eu só. Mas, ela mexe com meu instinto protetor.
Então, convido Mel pra dar uma volta, para que ela volte ao normal. Entramos em uma padaria e peço uma xícara de café bem quente para ela. Ela me olha, e despretensiosa fala: Ficaria mais à vontade se tomasse café na minha casa. Não pude deixar de notar que ela cora um pouco depois de terminar a frase. Olho pra ela e passo a mão por seu rosto. Não digo nada em resposta. Entrego à ela a xícara, depois de alguns minutos ela termina de tomar seu café e saímos em direção a sua casa. Chegando perto, deixo a na esquina, sei que não resistiria se ela me pedisse pra entrar. Você é diferente, diz ela olhando para baixo. Toco o seu queixo para que ela olhe em meu rosto, e respondo: Não gosto de café e sorrio. Meio confusa, ela sorrir sem graça. E se despedi de mim com um aceno de mão. E vira as costas. Olho a até virar a esquina.
Minha esperança de revê-lá é o bilhete que deixei em seu casaco com o meu endereço e uma frase: Fiz café da manhã pra dois. Espero que a segunda pessoa ainda lembre- se de mim.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Devemos provar do proibido, senão sufocamos

"Sou capaz de suportar todos seus defeitos, até o pior deles que é não saber de vez se me quer ou não. (Gabito Nunes) " Você sempre me olha, mas seu olhar sobre mim não dura mais que três segundos. Adoro quando você coloca o cabelo atrás da orelha e rir de algo engraçado que alguém disse, sem mostrar muito os dentes. Poderia ficar a vida toda olhando para você, de certo, sou um cliché ambulante, típico de histórias romancistas água com açúcar. Você para mim é como a frase daquela música" [...] o brinquedo caro na vitrine que o menino pobre não pode ter. " Vai ver, é por isso, que eu gosto tanto de olhar pra você, gosto das coisas impossíveis de se ter.

Tati B.


Preciso admitir, sou muito irônica, e grossa as vezes, um pouco meiga de vez em quando. Gosto do meu lado apaixonada, mas quase nunca aparece. E meu lado safado chega a me assustar. Protetora e ciumenta ao extremo. Tenho um gênio difícil e um temperamento forte. As vezes sou barraqueira, outras, calma até demais. Dura como uma pedra e frágil como um vidro. Um poço de orgulho, e mais conhecida como a rainha do drama, essa sou eu. E sabe o que mais me assusta? Ainda tem gente que gosta.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Gabito Nunes- Me liga, qualquer coisa


Fica, eu digo.[...] Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água[...] Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente.

sábado, 14 de julho de 2012

Jornal aberto, café e coração na boca

Entro no primeiro lugar que vejo aberto. Sinto meu coração na boca, meu sangue está correndo tão rápido por minha veias que quase posso ver sua pulsação sobre minha pele. Logo, sobe um rubor por minhas bochechas, enquanto as lágrimas rolam por minha face, sem pedir licença invadem meus olhos. Olho em minha volta, para descobrir aonde fui parar. Reparo que entrei dentro da minha livraria preferida, onde tem um som ambiente tão calmo e relaxante. Sempre sento, para tomar uma xícara de café e ler qualquer coisa, na mesa do fundo, onde a luz solar bate indiretamente. Só de saber que estou aqui, me acalmo um pouco. Porém, não consigo esquecer da briga que tive com a minha mãe mais cedo. Vai ser sempre assim?! Você não consegue aceitar, ele nos deixou, deixou você. Papai, nunca vai voltar, só você que não percebe. - Lembro me da última frase que cuspi à ela, antes de sair de casa, batendo a porta. Balanço a cabeça, não quero mais lembrar da briga, sei que quando eu voltar pra casa, não terei que me preocupar com mais uma discussão, ela vai está dormindo no quarto entupida de remédios. Como sempre.
Lágrimas voltam a rolar em meu rosto, disfarço segurando um livro qualquer em frente ao meu rosto, não quero que ninguém me veja assim. Olho pro lado a procura de minha mesa preferida, mas já tem alguém ocupando o meu lugar. Percebo, que é um rapaz de cabelos pretos lisos, está vestindo uma blusa branca que se adapta perfeitamente ao seu corpo. Perto dela está um a xícara de café bem quente, que é fácil perceber pois ainda solta fumaça. O jornal que ele está segurando, atrapalha de ver o seu rosto. Acho que ele percebeu meu olhar, pois, me olha de volta quando eu recuo rápido meu olhar para o livro e folheio-o despretensiosamente. Sinto que seu olhar se prendeu em mim, mais segundos do que seria educado.
Olho o novamente pelo canto do olho e percebo que ele está vindo em minha direção, viro me de costas, não quero nenhum chato me enchendo. Não hoje. Mas, não consigo me concentrar no livro em minhas mãos. Gosta desse livro?, ouço sua pergunta e percebo que ele está atrás de mim. Viro me pronta para dar uma resposta bem ríspida e malcriada, devido a sua prepotência de vir falar comigo. E, paro sem reação, quando ele abre um sorriso encantador. Tudo que eu iria esbravejar contra ele se esvaiu por minha mente, e não consigo mais lembrar de nada só olha- lo e perceber que não era só seu sorriso que era encantador e sim o rosto todo. Então, é bom? ouço -o reforçando a pergunta. Concentre- se, concentre-se repetia em minha mente. Não sei, ainda não li - ouço saindo de minha boca. Voltei o rosto para o livro, pois, sabia que não me concentraria com ele tão perto de mim assim. Achei q ele fosse se retirar, ao perceber o quanto eu estava sendo reticente com sua presença à minha frente. Engraçado, não era esse mesmo livro que você estava lendo ontem aqui? E ontem, não pude deixar de perceber que você já havia passado do meio do livro.- ouço ele me questionando novamente. Olho para o livro em minhas mãos, viro a folha pra ver a capa, O prisioneiro do céu de Carlos Ruiz Zafon. Lembro que o li tão compulsivamente, que passei mais tempo sentada naquela mesa, em que hoje ele estava, do que em minha própria casa. Fico desconfortada com a situação, nunca fui de ficar sem respostas, tudo sempre esteve na ponta da minha língua, mas não hoje. Como você sabe?, falo a primeira frase coerente que veio em minha cabeça. Novamente ele sorrir e chega mais perto do meu corpo, sinto que esqueço de respirar. Desculpe me tamanha indelicadeza. Venho sempre aqui, me sento em frente à sua mesa todas vezes. Porém, percebo que você nunca reparou. Vejo ele, de certo, começando a ficar constrangido com a situação. Mas, continua a me responder. Fico fascinado como você se transporta para o livro, ele me olha com um sorriso de canto de boca e continua, sua fisionomia muda em cada novo desfecho da história. Eu quase posso adivinhar o que está acontecendo só de olhar para seu rosto. Quando termina de me responder percebo que ele levemente corou. Por que me olha?, pergunto à ele novamente. Sua fascinação por livros me encanta, desculpe me, se parece estranho isso, mas sou escritor e não pude deixar de reparar. Sempre quis falar com você, todavia não tinha coragem de ir até aonde você estava, não queria invadir o seu mundo, você fica tão longe daqui quando ler, ele sorrir pra mim novamente. Hoje porém, tive coragem, e repare já à esperava, olho para onde ele está apontando, está me mostrando uma xícara com café, a mesma que reparei a cinco minutos atrás e não pude deixar de notar que ela ainda está bem quente por sinal, mas, agora noto que ela se encontra à sua frente e não ao seu lado, como se insinuasse um convite para alguém juntar se à ele. Gostaria de conversar com você, se possível. De fato, você me inspirou a continuar a escrever, pois, estava pensando em parar. Você sabe, vida de escritor é difícil e as contas não param de chegar ao final do mês, ele sorrir sem graça para mim, diga me se aceita um café? pergunta me ao terminar seu monólogo em resposta à pergunta que o fiz.
Ainda tentando me situar no que está acontecendo, respondo que sim com a cabeça, não consigo pensar em outra resposta que não seja essa. Em resposta, ele sorrir novamente, e um frio percorre por minha espinha. Aliás, eu sou Diogo, prazer. E em seguida estende sua mão para me comprimentar. Em retribuição estendo a minha, sinto seu toque em minha palma e um calor percorrer por todo meu corpo, soltando endorfina por minha corrente sanguínea. Emily, digo meu nome à ele ainda segurando sua mão. Enquanto Diogo me direciona para mesa, questiono me em silêncio, O que há comigo?! Como ele pode despertar esse calor pelo meu corpo, só com um toque. Sinto como se fosse um ler um livro muito esperado. E gosto da sensação que isso me proporciona. E sorrio, e logo percebo que ele está me olhando. Gosto do seu sorriso, ele fala enquanto arrasta a cadeira para eu sente à sua frente.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sem rascunho


Totalmente desatenta, possivelmente fora de mim, acaricio meus lábios, lembrando do seu juntamente ao meu, não houve movimentos, só o toque. Não sei quando você chega e nem quando vai embora. Não ouço seus passos na escada, a janela sempre trancada, porém, você me arrebata toda noite.
Eu sei quando você está no meu quarto, pois, o meu corpo inteiro se arrepia, mesmo eu estando adormecida, posso senti-lo. Posso até ouvir sua voz rouca pedindo para que eu pare de olhá-lo, com meu olhos castanhos mel, que sempre conseguiam ver sua alma.
Sinto sua mão acariciando levemente meus cabelos, e ouço o som da sua gargalhada, ecoando pelo quarto. Não faz sentido, você se foi, porém toda noite é como se você estivesse aqui.
Sinto sua falta, quando quiser aparecer seja bem-vindo, chega de lembranças e saudades sem fim, pensa Anita ao terminar de escrever mais um texto para sua coluna da revista Ellas. Dessa vez, não sai correndo para entregar o rascunho para o fechamento da revista. Mas, acaricia seus lábios e pensa: Poderia ser verdade.

Martha

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Histórias cruzadas

CF, porque só ele me entende

Fonte: desContração- http://drarepolha.blogspot.com.br/

Algo dentro

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Fonte: http://silvinhahba.blogspot.com.br